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Você já nasceu de novo? Tem certeza absoluta de que entrará no reino de Deus?

O que é nascer de novo? Romanos 6 explicado: o crente morreu, foi sepultado e ressuscitou com Cristo, e é isso que a Bíblia chama de novo nascimento. O velho homem crucificado, o batismo na morte de Jesus, a pergunta de Nicodemos, se o cristão pode viver sem pecar, a saída que Deus dá em cada tentação e o Advogado para quem cai.

Por Prof. Philippe Ávila·Romanos 6.1–14; João 3.3·44 min de leitura·outubro de 2026

Esta exposição baseia-se na pregação realizada em 4 de outubro de 2026, na Escola de Fundamentos da Igreja Evangélica Batista, na Rua José Maria, nº 53, em Campo Grande (MS), Brasil.

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Pintura a óleo em tons azuis de noite: num terraço de pedra, dois homens sentados conversam frente a frente; à esquerda, um velho de barba branca e turbante, de manto escuro, de perfil; à direita, um homem de barba e manto vermelho sobre túnica clara, com o peito iluminado, faz um gesto com a mão; ao fundo, as casas de uma cidade na encosta sob o céu noturno
Henry Ossawa Tanner pintou a cena em Jerusalém, em 1899: Nicodemos foi a Jesus de noite e os dois conversam num terraço, acima da cidade adormecida. O velho de barba branca é o mestre em Israel, membro do conselho, com toda a religião que um homem podia ter. Foi a ele, e não a um ladrão, que Jesus disse: importa-vos nascer de novo.
Henry Ossawa Tanner pintou a cena em Jerusalém, em 1899: Nicodemos foi a Jesus de noite e os dois conversam num terraço, acima da cidade adormecida. O velho de barba branca é o mestre em Israel, membro do conselho, com toda a religião que um homem podia ter. Foi a ele, e não a um ladrão, que Jesus disse: importa-vos nascer de novo.Henry Ossawa Tanner · Domínio público · via Wikimedia Commons
Neste artigo

Morreu, foi sepultado, ressuscitou: o verdadeiro evangelho começa com esses três verbos

Quando Paulo quis lembrar aos irmãos em Corinto sobre qual era o verdadeiro evangelho, não escreveu um tratado sobre ele. Escreveu apenas três verbos, e avisou que tais verbos não eram invenção dele: disse que ele estava entregando o que tinha recebido1.

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.1 Coríntios 15.3–4

Morreu, foi sepultado, ressuscitou. Esse é o evangelho do reino de Deus2, e todo crente sabe de cor o que Cristo fez por nós na cruz, na tumba e na ressurreição. De fato, ninguém que crê em Jesus duvida que ele morreu, foi sepultado e que ressuscitou. O sepultamento está ali para dizer que a morte foi real; a ressurreição, para dizer que a morte não teve a última palavra. E tudo aconteceu “segundo as Escrituras”3. O terceiro dia já estava anunciado nos escritos do profeta Oseias4, que esperava de Deus que “ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele”5, e no profeta Jonas, que esteve “três dias e três noites no ventre do peixe”6, sinal que o próprio Jesus tomou para si7.

O que muitos crentes na verdade nunca ouviram ou ignoram completamente é que os mesmos três verbos têm outro sujeito que não é Jesus. Existem outros que também morreram, foram sepultados e ressuscitaram. Em Romanos 6, o apóstolo Paulo os conjuga na primeira pessoa do plural. Diz ele que nós todos “fomos unidos com ele na semelhança da sua morte”8; nós todos fomos “sepultados com ele na morte pelo batismo”9; e agora nós todos também fomos unidos “na semelhança da sua ressurreição”10. A cruz, portanto, não é só o lugar onde Cristo morreu por mim; é o lugar onde eu morri com ele. Não apenas ele morreu: eu também morri. O caminho tem uma ordem. Fomos incluídos na morte dele e por consequência em seu sepultamento e em sua ressurreição.

Mas como fomos incluídos na morte dele?

Antes de alguém dizer “eu morri com Cristo”, precisa entender como se morre na morte de outro e de que forma a Bíblia diz que a morte de Jesus não foi só de Jesus, mas também a nossa. Jesus explicou, poucos dias antes da cruz, com uma frase que o apóstolo João fez questão de comentar. Jesus diz o verso 32 e João o comenta no verso 33:

E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.João 12.32–33

João avisa que a frase indicava “de que gênero de morte estava para morrer”11: levantado da terra é a cruz, o gênero, o tipo de morte que Jesus havia de morrer. E o que a cruz faz, na boca de Jesus, é atrair: “atrairei todos a mim mesmo”12. Ele disse que quando ele fosse levantado da terra, pregado naquela cruz, ele atrairia todos nós ao seu corpo. O verbo é o de puxar uma rede cheia13. A morte de Cristo não é um espetáculo que se assiste de longe; é um centro que puxa para dentro de si.

Paulo explica a inclusão com dois homens. Ele diz que “como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”14. Adão não pecou só por si: pecou como cabeça de uma humanidade, e por isso “por um só homem entrou o pecado no mundo”15. Cristo, o “último Adão”16, obedeceu e morreu do mesmo modo, como cabeça, por isso diz o texto que “por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”17. O que o cabeça faz, faz em nome de todos os que estão nele. Por isso Paulo conclui sem rodeio18: “um morreu por todos; logo, todos morreram”19.

A carta aos Hebreus tem uma imagem que ajuda a entender o “estar em”. Levi, o pai e cabeça de todos os sacerdotes levitas, ainda nem mesmo tinha nascido quando Abraão, seu bisavô, deu o dízimo a Melquisedeque, rei de Salém, e mesmo assim o texto diz que “também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão”20. A razão é que “aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai”21: Levi estava dentro de Abraão22. Estar em alguém é participar do que ele faz. Quem está em Cristo estava nele quando ele foi levantado da terra, e Paulo diz que fomos “unidos com ele na semelhança da sua morte”23.

Há um detalhe na história de Adão que deixa a imagem ainda mais clara. Quando Adão pecou, ainda não tinha filhos: eles só vieram depois do Éden (Gênesis 4.1). Toda a humanidade estava nele naquela hora, como Levi estava em Abraão, e por isso caiu com ele. O que Adão gerou depois já trazia a marca da queda: “gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” (Gênesis 5.3), e Davi confessa que essa herança começa antes do primeiro respiro: “em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51.5), por isso Paulo diz que “não há um justo, nem um sequer”24. É essa a natureza que Paulo chama de velho homem (Romanos 6.6). Com Cristo, a ordem é a mesma. Enquanto andava entre nós, ele era o cordeiro “imaculado e incontaminado” (1 Pedro 1.19), sozinho na sua pureza. Foi quando a cruz se levantou que se cumpriu o que ele tinha dito: “quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (João 12.32). A figura vem dos sacrifícios. Antes de o animal morrer, o ofertante punha a mão sobre ele: “porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito por ele, para a sua expiação” (Levítico 1.4), e só “depois degolará o bezerro perante o SENHOR” (Levítico 1.5). A mão era identificação: o animal puro recebia sobre si quem o oferecia. Assim entramos em Cristo. Levantado na cruz, ele nos tomou sobre si, porque “o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53.6), e então morreu. Assim como estávamos em Adão quando ele caiu, estávamos em Cristo quando ele morreu.

É por isso que, na cruz, se ouviu o grito mais escuro dos evangelhos: “Eloí, Eloí, lemá sabactâni? Isso, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15.34). Isaías já tinha dito o que o pecado faz entre o homem e Deus: “as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59.2). Aquela divisão era nossa; o rosto encoberto era o que nós merecíamos. A separação entre Deus e Jesus na cruz se deu não por causa dos pecados de Jesus, mas sim porque quando a cruz foi levantada ele nos atraiu com todos os nossos pecados, iniquidades e salário de morte.

Se a graça cobre todos os nossos pecados, agora podemos continuar pecando porque estamos debaixo da graça?

Paulo tinha acabado de escrever a frase mais generosa da carta: “onde abundou o pecado, superabundou a graça”25. Ele sabia o que viria em seguida, porque já tinha ouvido. Se a graça cresce onde cresce o pecado, pequemos mais, para que ela cresça mais. É o que diziam. A pergunta abre o capítulo 6.

Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?Romanos 6.1–2

A primeira resposta àqueles que perguntam se podem viver no pecado é um fato: “nós os que para ele morremos”26. O argumento de Paulo contra o pecado não começa no medo; começa num funeral, pois ele diz que para o pecado morremos. Quem morreu para o pecado não pode continuar morando nele, do mesmo modo que um morto não continua morando na casa onde viveu27. Eles perguntam se podem permanecer no pecado, Paulo responde que um morto não pode viver no pecado se para o pecado ele já morreu.

Essa é a resposta às duas mentiras que rondam a maravilhosa graça. A primeira faz da graça uma licença para pecar, e Judas já falava daqueles que “transformam em libertinagem a graça de nosso Deus”28 e Pedro cita os que prometem “liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção”29. A segunda, assustada com a primeira, devolve o crente ao jugo da lei, como se só o medo da punição pudesse segurá-lo. Paulo recusa as duas. A graça não é licença para continuar; é o poder de sair. E ele vai mostrar, versículo a versículo, como se sai: morrendo com Cristo, sendo sepultado com ele e ressuscitando com ele.

Repare que Paulo não pergunta por que não devemos viver no pecado. Pergunta como poderíamos: “Como viveremos ainda no pecado”30. Para ele, a vida no pecado não é só proibida ao crente; é incompatível com o que aconteceu com ele. Não faz sentido. Quem pergunta até onde pode ir ainda não entendeu que morreu.

Você sabia que fomos “batizados” na morte de Jesus?

Todo crente batizado tinha passado pela água, e a água, como figura, dizia uma coisa só: quem é batizado em Cristo é batizado na morte dele. A palavra grega para batismo é a de mergulhar, e a preposição é a de entrar31. Ninguém é mergulhado perto de Cristo; é mergulhado dentro dele, e dentro da sua morte. Isso é o que afirmam as Escrituras.

Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.Romanos 6.3–4

É preciso distinguir o mergulho da água, para não se confundir. Quando Paulo fala de batismo na morte não está falando daquele na água que você conhece. Antes de ser um rito, batismo era uma palavra, e o próprio Jesus a usou para falar da sua morte, sem água nenhuma: “podeis vós beber o cálice que eu bebo e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?” (Marcos 10.38), e “importa, porém, que eu seja batizado com um certo batismo, e como me angustio até que venha a cumprir-se!” (Lucas 12.50). Paulo usa a palavra do mesmo modo quando diz que Israel foi “batizado em Moisés, na nuvem e no mar” (1 Coríntios 10.2), e o povo atravessou o mar em seco (Êxodo 14.22): foi batizado sem se molhar. A água é a figura desse mergulho espiritual, e Pedro faz questão de separar as duas coisas: o batismo que salva é “figura”, “não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus” (1 Pedro 3.21). O verdadeiro batismo é o mergulho em Cristo; o batismo na água é o símbolo que anuncia este verdadeiro batismo.

O batismo por imersão mostra isso que aconteceu em Cristo através do corpo. É uma figura. O homem desce à água como quem desce ao túmulo, e sobe como quem sai dele. Paulo diz o mesmo aos colossenses, e acrescenta o que faz a água valer: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”32. A água não opera sozinha; o que opera é a fé no poder de Deus. Ananias disse a Saulo: “recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele”33. O que lava é o nome invocado; a água é o lugar onde a fé se declara.

Os judeus conheciam uma imersão que marcava começo de vida. O pagão que se convertia ao Deus de Israel passava pela circuncisão e por um banho, e os mestres diziam que, mergulhado e saído da água, ele era israelita em tudo34. O batismo cristão diz mais. Não é só começo; é fim e começo no mesmo gesto: termina uma vida e começa outra. Paulo diz aos gálatas: “todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes”35.

Não existe apenas morte, mas também sepultamento: por que o evangelho faz questão do túmulo?

O credo que Paulo recebeu podia ter saltado da cruz para a ressurreição. Ele podia dizer que fomos mortos e ressuscitados, mas não. Ele não saltou, mas fez questão de dizer: “e que foi sepultado”36. O túmulo do sepultamento está no evangelho porque o túmulo certifica a morte. Pilatos mesmo quis ter certeza: “admirou-se de que ele já tivesse morrido”37, chamou o centurião e só depois de se certificar entregou o corpo.

Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo.Marcos 15.46

A Lei mandava que o pendurado no madeiro fosse enterrado no mesmo dia: “o seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia”38. Foi por isso que os judeus pediram a Pilatos “para que no sábado não ficassem os corpos na cruz”39.

E foi sepultado como Isaías tinha dito: “Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte”40. Veio “um homem rico de Arimateia, chamado José”41, que o pôs “no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha”42. Envolveram o corpo “em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro”43. Ninguém prepara para o sepulcro um homem que ainda respira. Ele estava morto, e disso ninguém tinha dúvida.

Fotografia antiga em preto e branco: na parede de rocha de uma escavação, a entrada baixa e escura de um túmulo; ao lado, encostada à rocha, uma grande pedra redonda em forma de disco, que rolava num sulco para fechar a abertura; em volta, blocos de pedra empilhados e mato seco
Túmulo judaico talhado na rocha, em Abu Ghosh, perto de Jerusalém, com a pedra redonda que rolava para fechar a entrada, como a de Marcos 15.46. Pedra assim dava trabalho e custava caro, e era coisa de família com posses: o túmulo de José de Arimateia é o rico de Isaías 53.9. A pedra fechada sobre a entrada era a declaração pública de que ali dentro estava um morto.
Túmulo judaico talhado na rocha, em Abu Ghosh, perto de Jerusalém, com a pedra redonda que rolava para fechar a entrada, como a de Marcos 15.46. Pedra assim dava trabalho e custava caro, e era coisa de família com posses: o túmulo de José de Arimateia é o rico de Isaías 53.9. A pedra fechada sobre a entrada era a declaração pública de que ali dentro estava um morto.Matson Photo Service (Biblioteca do Congresso) · Domínio público · via Wikimedia Commons

O que isso tem a ver conosco? Tudo. Paulo diz que fomos “sepultados com ele”44, e o sepultamento diz do velho homem o que disse de Jesus: a morte foi real e está encerrada. Ninguém volta ao túmulo para pedir conselho ao morto, nem leva o morto de volta para casa. O pecado e suas consequências espirituais que me dominavam pertencem ao homem que foi enterrado. Desenterrar o velho homem é o que faz o crente que volta, de propósito, ao que Deus já sepultou. O sepultamento era o fim da velha história; o túmulo vazio é o começo da nova.

Velho homem? Quem foi pregado na cruz junto com Cristo?

sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado.Romanos 6.6–7

Mas quem é o velho homem? Não é uma parte de mim que eu possa separar do resto, como um dente estragado. O velho homem sou eu, como eu era em Adão: a vida inteira organizada em torno de mim mesmo, “que se corrompe segundo as concupiscências do engano”45. Paulo fala dele no passado. Aos colossenses: “vos despistes do velho homem com os seus feitos”46. Aqui: “foi crucificado com ele o nosso velho homem”47.

E diz para quê: “para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”48. O corpo do pecado é o corpo enquanto instrumento que o pecado usava. E destruído não quer dizer que ele virou pó: o verbo grego é o de desativar, tirar o poder49. O pecado não morreu; quem morreu fui eu. E o morto não deve mais nada ao seu antigo senhor.

É o que o versículo 7 diz em linguagem de tribunal: “porquanto quem morreu está justificado do pecado”50. A morte fecha a conta51. Os mestres judeus diziam algo parecido sobre a Lei: o salmo chama o morto de “livre entre os mortos”, e eles concluíam que, quando o homem morre, fica livre dos mandamentos52. Paulo usa o mesmo raciocínio no capítulo seguinte: “também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro”53.

Isso muda o modo de lutar. O crente que acha que ainda é escravo luta como escravo: pede licença ao senhor antigo para descansar um pouco. O que sabe que morreu luta como homem livre. A ordem não é “morra para o pecado”; é “saiba que morreu”. Paulo começa o versículo assim, “sabendo isto”54, e só depois manda. E diz aos romanos o que eles já eram: “uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”55.

Estou crucificado com Cristo? Como assim?

Romanos 6 fala de nós. Gálatas 2 fala de mim. Paulo discutia com quem queria pôr os crentes de volta debaixo da Lei, e no meio da discussão escreveu a frase mais pessoal do Novo Testamento sobre a cruz. Ele disse que foi crucificado com Cristo.

Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.Gálatas 2.19–20

“Estou crucificado com Cristo”56. O verbo grego está no perfeito, o tempo do que aconteceu e continua57. Paulo não diz fui crucificado um dia, e passou. Diz que a cruz o pegou e não o soltou mais. É uma morte contínua, pois o velho homem não vive, ele fica morto na cruz em Cristo. A cruz não é uma lembrança na vida do crente; é o estado em que sua velha natureza vive. Ela morreu e a vida velha não sai da cruz. É o mesmo verbo dos dois ladrões crucificados ao lado de Jesus: Paulo se põe naquele monte, pregado junto.

E o resultado é “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”58. Isso não é desaparecer59. Na mesma frase, Paulo continua dizendo: “esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus”60. O que morreu foi o eu que vivia para si; o que vive agora é Paulo, com outro centro. Cristo não apaga a pessoa; tira a pessoa do trono.

Os que são de Cristo “crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências”61, e Paulo termina a carta com o mundo também pregado, dizendo: “pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo”62.

Mas não apenas morremos e fomos sepultados. Você sabia que fomos também ressuscitados com Jesus?

Paulo não diz se um dia fordes ressuscitados, como falando de um dia futuro. Diz “se fostes ressuscitados juntamente com Cristo”63, e o se ali não é dúvida: é o ponto de partida do argumento.

Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.Colossenses 3.1–4

A ressurreição do crente com Cristo já aconteceu, e aos efésios Paulo diz o mesmo: Deus “nos deu vida juntamente com Cristo”64 e “juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”65.

Foi Deus quem ressuscitou Jesus, pelo seu Espírito, e é o mesmo Espírito que mora no crente. O mesmo poder que tirou Jesus do túmulo é o que dá vida ao crente agora. Os mestres judeus diziam que os justos, mesmo mortos, são chamados vivos, e que os ímpios, mesmo vivos, são chamados mortos66. Paulo diz algo parecido, e mais forte, do homem sem Cristo: Deus nos deu vida “estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”67. Sem Cristo, o homem respira e está morto; em Cristo, morreu e está vivo.

Morte, sepultamento e ressurreição têm um nome: se chama “novo nascimento”

O homem que ouviu primeiro que precisava nascer de novo não era um pagão nem um ladrão. Era Nicodemos, fariseu, membro do conselho, e Jesus o chama de “mestre em Israel”68. Um líder religioso respeitado, que veio de noite e começou com um elogio. Jesus respondeu com uma sentença.

A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.João 3.3

A sentença não tem exceção: nem para o fariseu, nem para o pastor, nem para o filho de crente. Com a natureza com que todos nascem, ninguém entra no reino de Deus, porque “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”69. A palavra traduzida por de novo quer dizer também de cima70, nascer de cima, você precisa nascer do alto: é um segundo nascimento, e vem do alto. Nicodemos entendeu o primeiro sentido e tropeçou nele: “Como pode um homem nascer, sendo velho?”71

Os mestres de Israel diziam do pagão que se convertia que ele era como uma criança recém-nascida72. Jesus pede isso a um mestre de Israel, nascido no povo, circuncidado ao oitavo dia. E explica de onde vem esse nascimento: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”73. Um mestre em Israel devia reconhecer as duas palavras juntas, porque elas estão juntas em Ezequiel: “aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados”74; “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo”75. O novo nascimento é a promessa de Ezequiel cumprida numa pessoa.

E no mesmo diálogo, poucos versículos depois, Jesus fala da cruz: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado”76. O importa do versículo 7 e o importa do versículo 14 são a mesma palavra77. É necessário nascer de novo, e é necessário que o Filho do Homem seja levantado. No deserto, “todo mordido que a mirar viverá”78; na cruz, é “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna”79. Ninguém nasce de novo sem olhar para o que foi levantado.

Como Deus faz alguém renascer? A ordem já apareceu, peça por peça. Primeiro, Deus nos incluiu em Cristo quando ele foi pregado e levantado na cruz: “atrairei todos a mim mesmo”80. Depois, incluídos nele, Deus nos fez morrer nele: “um morreu por todos; logo, todos morreram”81, e “foi crucificado com ele o nosso velho homem”82. Por fim, mortos com ele, Deus nos deu vida com ele, pelo mesmo poder da ressurreição: “nos deu vida juntamente com Cristo”83. Pedro diz84 que Deus “nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”85. A vida de Cristo em nós é o novo nascimento.

É obra de Deus do começo ao fim. Nem todos são filhos de Deus; todos são criaturas de Deus. Pois os filhos de Deus “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”86; “segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade”87; e a semente que nos gera é “incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”88. Deus não reforma a natureza velha: tira o coração de pedra e dá um de carne89, e faz o homem participar do que é dele, “para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”90.

Em Londres, no século XIX, o renomado pastor batista Charles Spurgeon pregou mais de uma vez sobre este importa, e não deixou o texto virar conselho de melhora. Ele disse: “a regeneração é muito mais do que a reforma da vida, ou do que uma religião de boa aparência; pois não é ‘importa-vos ser lavados, importa-vos ser melhorados, importa-vos ser elevados’, mas ‘importa-vos nascer’.”91 Noutro sermão sobre o mesmo versículo, ele tirou a conclusão que o próprio Jesus tirou: “temos de ter essa vida, ou não podemos ver nem entrar no reino de Deus.”92

Retrato a óleo de um homem de meia-idade, de barba castanha e cabelo penteado para trás, vestido de terno preto com gravata-borboleta, sentado numa poltrona de madeira entalhada e estofado vermelho, com uma cortina vermelha ao fundo
Charles Haddon Spurgeon, o pregador batista de Londres, no retrato de Alexander Melville. Ele pregou para milhares por semana durante quase quarenta anos, e voltou muitas vezes a João 3 e a Romanos 6. Nunca deixou o novo nascimento virar conselho de melhora: não é importa-vos ser melhorados, dizia, mas importa-vos nascer.
Charles Haddon Spurgeon, o pregador batista de Londres, no retrato de Alexander Melville. Ele pregou para milhares por semana durante quase quarenta anos, e voltou muitas vezes a João 3 e a Romanos 6. Nunca deixou o novo nascimento virar conselho de melhora: não é importa-vos ser melhorados, dizia, mas importa-vos nascer.Alexander Melville · Domínio público · via Wikimedia Commons

Pregando João 3.3, mediu o tamanho da mudança: “A mudança é radical: dá-nos naturezas novas, faz-nos amar o que odiávamos e odiar o que amávamos.”93 E amarrou esse nascimento à cruz: “Vocês precisam vir a saber […] o que é a carne ser crucificada com Cristo e uma vida nova ser implantada em vocês sobrenaturalmente, como obra do Espírito Santo; do contrário, não podem entrar no reino de Deus.”94

Então a pergunta que importa não é se alguém tem religião, cargo ou nome na igreja. Nicodemos tinha os três. A pergunta é se nasceu de novo, e Deus não deixa o crente sem resposta: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus”95; “Aquele que tem o Filho tem a vida”96. João escreveu “a fim de saberdes que tendes a vida eterna”97. O novo nascimento não é para ser suposto; é para ser sabido.

Estamos mortos para o pecado?

Até aqui, Paulo só tinha dito o que aconteceu. Agora ele dá a primeira ordem do capítulo, e ela não é esforçai-vos. É “considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus”98. O verbo é de contabilidade99: lançar na conta o que é verdade. É o mesmo verbo com que Deus contou a fé de Abraão como justiça: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”100. Considerar-se morto não é fingir; é contar com o que Deus já contou.

Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.Romanos 6.8–11

A ordem do capítulo é esta. Primeiro saber: “sabendo isto”101, “sabedores de que”102. Depois considerar: “considerai-vos”103. Depois oferecer: “oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos”104. Quem pula o saber vira legalista, porque tenta morrer por esforço. Quem para no saber vira teórico, porque sabe e não conta com isso. O crente vitorioso sabe o que aconteceu, conta com isso e se entrega.

A conta se refaz na hora da tentação. O desejo aperta e diz você ainda é meu; o crente responde com a conta de Deus: eu morri para isso. Não é sentimento. Muitas vezes o crente não se sente morto para o pecado, e ainda assim o que vale é o que Deus diz, e não o que o crente sente. Cristo “de uma vez para sempre morreu para o pecado”105; o crente considera isso verdade a seu respeito, todo dia, tantas vezes quantas forem precisas.

Os mestres judeus guardaram um diálogo lendário entre Alexandre Magno e os sábios do sul. O rei perguntou: Que fará o homem para viver? E eles: Que mate a si mesmo. E: Que fará para morrer? Que se mantenha vivo. E diziam que a Lei só permanece em quem se mata por ela106. Eles intuíram o caminho; Jesus o abriu: “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á”107.

Por isso, não reine o pecado em vosso corpo mortal

Só agora vêm os imperativos, e eles nascem dos fatos. Paulo não manda o crente morrer; manda o crente que morreu viver como morto para o pecado. “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal”108.

Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.Romanos 6.12–14

O portanto liga a ordem ao que veio antes. O verbo grego diz: não o deixeis continuar reinando109. O pecado perdeu o trono; o crente não deve devolver a coroa a ele, ainda que possa.

Depois, a escolha dos membros: “nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos”110. Os olhos, as mãos, a língua, o celular na mão são instrumentos, e o crente escolhe a quem os entrega, e Paulo avisa, no texto sobre território espiritual: “desse mesmo a quem obedeceis sois servos”111. Ninguém serve a dois senhores com o mesmo corpo na mesma hora.

E então a frase que sustenta tudo: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós”112. Está no futuro. Não é tentai fazer com que ele não domine; é ele não dominará113. O que Deus manda no versículo 12, ele promete no 14. E a razão é a graça: “pois não estais debaixo da lei, e sim da graça”114. A Lei ordena e não dá a força para cumprir. A graça dá o que ordena.

O nascido de Deus não vive na prática do pecado

João escreveu sobre o novo nascimento o que nenhum outro apóstolo escreveu com tanta força. E disse o que ele produz.

Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.1 João 3.8–9

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado”115. Os verbos gregos estão no presente, o tempo do que se faz sempre116: João fala do hábito, da vida organizada em torno do pecado. A vida nova não pode mais viver na prática do pecado. E a razão não é força de vontade: “o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”117. Quem nasceu de Deus carrega a natureza de quem o gerou.

É para isso que Cristo veio: “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo”118. E a guarda do crente não está nas mãos do crente: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus [Cristo] o guarda, e o Maligno não lhe toca”119. E João diz por quê: “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”120.

Os mestres judeus chamavam o mau impulso de pedra, pelo coração de pedra de Ezequiel, e esperavam que, no tempo que há de vir, Deus o degolaria diante de todos121. O que eles esperavam para o fim, o evangelho anuncia como começado na cruz. Paulo diz: “o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado”122.

Mas João, que escreveu “não pode viver pecando”, escreveu também “Se, todavia, alguém pecar”123. As duas frases cabem na mesma carta porque falam de coisas diferentes: uma, da prática; outra, do ato.

O cristão pode viver sem pecar?

Se o cristão pode viver sem pecar é uma pergunta antiga, e cristãos que amam a Escritura responderam de modos opostos.

Este autor, pelas Escrituras, crê que o cristão pode viver sem pecar, e a força para isso não é dele. Não é a força da natureza, é a graça de Deus. E as razões vêm da própria Escritura. Deus “não permitirá que sejais tentados além das vossas forças”124, e cada tentação chega com a sua saída: nenhum pecado do crente é necessário. João escreve “para que não pequeis”125, e só então trata o pecado como possibilidade: “Se, todavia, alguém pecar”126. O se não anuncia o que vai acontecer; prevê o que pode acontecer. Paulo promete: “andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”127. E Deus é “poderoso para vos guardar de tropeços”128.

E as objeções têm resposta na própria Escritura. Em 1 João 1, o apóstolo escreve129 contra quem dizia “não temos pecado nenhum”130 e contra quem dizia “não temos cometido pecado”131; o remédio que ele dá é confessar, e a frase seguinte é “estas coisas vos escrevo para que não pequeis”132. 1 João 1.8 proíbe o orgulho; não proíbe a vitória. O mesmo apóstolo escreveu “não vive na prática de pecado”133.

Romanos 7 descreve um homem “vendido à escravidão do pecado”134, e Romanos 6 tinha acabado de dizer do crente “uma vez libertados do pecado”135. Os dois retratos não são do mesmo estado. De 7.7 a 7.25, o Espírito não é nomeado nenhuma vez; em Romanos 8, a palavra aparece vinte e uma vezes, e 8.2 responde ao grito de 7.24: “a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”136. Os textos do Antigo Testamento falam do homem como ele é, e Ezequiel prometeu justamente o que mudaria isso: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos”137. E o Pai-Nosso, que manda pedir perdão, manda pedir também “e não nos deixes cair em tentação”138.

A graça que Paulo recebeu disse “A minha graça te basta”139, e graça que basta não é graça que garante a queda de cada dia. O crente não peca por falta de graça; peca quando deixa de usar a saída que a graça abriu.

E isso não é impecabilidade. Santo Agostinho distinguia poder não pecar de não poder pecar, e guardava o segundo para a glória140. Aqui, o crente pode não pecar, porque Deus o guarda; mas continua podendo cair, e por isso vigia: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”141. E quem anda na luz continua a ser lavado: “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”142. Quem diz que já não precisa do sangue não entendeu a cruz; quem diz que precisa pecar não entendeu a ressurreição.

Mas de onde vem força para não pecar? Eu não consigo!

Ninguém trabalhou mais que Paulo, e ele sabia disso. Ao contar o que fez, porém, corrigiu a frase no meio, para não roubar a glória de ninguém.

Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.1 Coríntios 15.10

A última palavra corrige as outras: “todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo”143. Aí está a diferença entre a vida nova e a impecabilidade. O impecável não poderia pecar; o crente pode, e pode também não pecar, porque a força não é dele. Paulo não diz que não trabalhou; diz que trabalhou muito mais do que todos, e que quem trabalhava nele era a graça. A força é de Deus, e o trabalho também é do crente.

É o mesmo equilíbrio de Filipenses: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”144, “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”145. O crente desenvolve; Deus efetua. Ninguém fica de braços cruzados, e ninguém se gaba do que fez. Jesus usou a imagem da videira: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”146. O ramo não faz força para dar uva; ele permanece.

Paulo repete isso de vários modos. Aos coríntios: “a nossa suficiência vem de Deus”147. Aos colossenses, diz que se afadiga “segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”148. Quando pediu três vezes que o espinho saísse, ouviu: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”149. E chegou à frase que tantos repetem sem perceber de onde ela vem: “tudo posso naquele que me fortalece”150. Agostinho a citou e acrescentou o pedido que ela supõe: fortalece-me para que eu possa151.

No dia a dia, essa força tem nome: o Espírito de Deus no crente, e Paulo o diz assim: “andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”152. O jamais é a negação mais forte que a língua grega tem153. Paulo não promete que a carne vai parar de desejar; ela continua, e ele mesmo diz que “a carne milita contra o Espírito”154. Promete que quem anda no Espírito não vai satisfazer o desejo dela. E aos romanos: “se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis”155.

Por isso a Escritura fala de Deus como quem guarda156. Judas termina a carta louvando “àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços”157, e Paulo ora para que os tessalonicenses sejam “conservados íntegros e irrepreensíveis”158, e logo responde a própria oração: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”159. Quem promete guardar de tropeço não está prometendo o impossível.

Deus deixa o crente ser tentado além das forças?

Paulo escreve depois de lembrar os israelitas que caíram no deserto, e começa com um aviso contra a soberba: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”160. Logo em seguida vem a promessa.

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.1 Coríntios 10.12–13

A tentação que chega ao crente é humana, comum, a mesma que outros enfrentaram. E Deus a mede: “não permitirá que sejais tentados além das vossas forças”161.

E não para aí: “juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”162. A palavra grega é saída163. Não existe tentação, para quem está em Cristo, que chegue sem a sua porta de saída. Isso quer dizer uma coisa dura e libertadora ao mesmo tempo: quando o crente cai, ele passou por uma saída que estava aberta. Não caiu porque não havia como não cair.

Tiago mostra onde ficam essas saídas: “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”164. Depois, “a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”165. É uma gestação: atração, sedução, concepção, nascimento. Em cada passo há uma saída, e a primeira é a mais fácil. Quem foge no primeiro olhar não precisa lutar no último.

E quem oferece a saída sabe o que é ser tentado. Hebreus diz de Jesus que “foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”166. Ele venceu como homem, cheio do Espírito de Deus, e por isso “é poderoso para socorrer os que são tentados”167. A vitória dele sobre a tentação mostra o que Deus faz num homem cheio do seu Espírito, e o mesmo Espírito mora no crente. Por isso o convite: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”168.

Se, todavia, alguém pecar: quem é o Advogado e qual é o caminho de volta?

João diz por que escreve: “estas coisas vos escrevo para que não pequeis”169. O alvo da carta não é que o crente peque menos; é que não peque. Ninguém escreve para que não pequeis a quem não pode deixar de pecar.

E logo depois: “Se, todavia, alguém pecar”170. Se. Não quando, nem como todos pecam todo dia. O grego apresenta um caso possível171.

Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.1 João 2.1–2

O pecado do crente é uma possibilidade, e não uma necessidade. E para essa possibilidade há provisão: “temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”172, que “é a propiciação pelos nossos pecados”173.

O caminho de volta é a confissão: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”174. Pedro caiu, e Jesus tinha orado por ele antes da queda: “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos”175. A porta de volta está sempre aberta, e nem por isso é convite para sair.

É aqui que muita gente erra a conta. Pega o se alguém pecar e o transforma em regra: todos pecam, sempre, em pensamento, palavra e obra. Pega a provisão e a transforma em plano. João fez o contrário. Escreveu primeiro para que não pequeis; depois deu o caminho de volta. A provisão para a queda não faz a queda necessária.

Fazei morrer: a morte já aconteceu e ela precisa ser trazida à lembrança todos os dias

Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;Colossenses 3.5

Dois versículos antes, Paulo tinha dito “porque morrestes”176. Agora diz “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”177. Parece contradição, e não é178. A morte decisiva já aconteceu na cruz; a morte de cada dia aplica aquela a cada membro. O crente não morre de novo para ser salvo; faz morrer, na prática, o que já foi condenado. Declara aquilo que já está morto.

Jesus pôs isso no ritmo do dia: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”179. Paulo disse o mesmo de si: “Dia após dia, morro!”180; e de todos os apóstolos: “levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo”181. Cada morte pequena abre espaço para a vida dele aparecer.

É a lei do grão de trigo, de novo: “Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna”182. Odiar a vida não é desprezar o dom de Deus; é recusar a vida velha, a natureza que só sabe viver para si. Quem não odeia essa vida volta para ela. Quem a odeia descobre que a vida nova é melhor.

E não se faz morrer sozinho. Paulo é claro: é “pelo Espírito”183. O crente oferece; o Espírito executa. Paulo pede “que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”184. Sacrifício vivo: o crente sobe ao altar todo dia e desce dele vivo, porque quem morreu com Cristo vive para Deus.

A nossa morte com Cristo não é descoberta de um pregador apenas. Ela está em Romanos 6 desde que Paulo o escreveu, e a igreja a pregou em muitas línguas. Algumas vozes a disseram de um jeito que ficou.

Em Londres, Charles Spurgeon voltou a Romanos 6 em muitos sermões. “Vocês morreram com Cristo e foram sepultados com Cristo”, pregou em 1878; “como, então, o pecado terá domínio sobre vocês?”185 Sobre Gálatas 2.20, pôs na boca do crente um desafio ao mundo: “Vem, mundo, com toda a tua feitiçaria; vem, prazer, com todos os teus encantos […]; que podeis fazer com um homem crucificado? Como podeis tentar alguém que está morto para vós?”186 E disse de onde vem a força: “Matar o seu pecado não está em seu poder; mas, se Jesus for com você, será feito.”187

Em 1869, na China, o missionário Hudson Taylor escreveu à irmã contando o que tinha descoberto sobre a vida em Cristo. “Estou morto e sepultado com Cristo, sim, e também ressuscitado”, disse. “Agora creio que estou morto para o pecado. Deus me considera assim, e me manda considerar-me assim. Ele sabe mais.” E, na mesma carta: “Sou tão capaz de pecar quanto antes, mas Cristo se faz presente como nunca. Ele pode me guardar de pecar. Não posso dizer que, desde que vi esta luz, não pequei; mas sinto que não havia necessidade de tê-lo feito.”188 Os biógrafos chamaram aquilo de a vida trocada.

O pregador chinês Watchman Nee resumiu a diferença entre o sangue e a cruz numa frase: “o Sangue trata dos pecados, mas a Cruz tem de tratar do pecador.” E sobre Romanos 6.11 avisou que não se trata de considerar-se morto para morrer: “Não é considerar em direção à morte, mas a partir da morte.” A ordem, ele dizia, é “conhecer, considerar, apresentar-se a Deus”189.

No México, o missionário F. J. Huegel escreveu: “não é apenas Cristo morrendo pelo pecador. É o pecador morrendo em Cristo.” Para ele, a vida cristã não é imitação de Cristo, é participação em Cristo. E L. E. Maxwell, no Canadá, deu ao seu livro um título que junta a cruz e o novo nascimento: Nascido crucificado. “Eu nasci crucificado”, escreveu, “isto é, quando nasci de novo.”190

A. W. Tozer, nos Estados Unidos, denunciou em 1946 uma cruz nova, que entrou nas igrejas sem matar ninguém: “A nova cruz não mata o pecador; ela o redireciona.” A antiga fazia outra coisa: “A cruz que pôs fim à vida terrena de Jesus agora põe fim ao pecador; e o poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos agora o ressuscita para uma vida nova junto com Cristo.”191 E na Alemanha, em 1937, o pastor Dietrich Bonhoeffer escreveu: “Todo chamado de Cristo leva à morte.”192

No Brasil, essa pregação tem uma linhagem conhecida. O pastor batista Antônio Abuchaim (1919–1992), nascido em Itajobi, no interior de São Paulo, meu bisavô, entendeu Romanos 6 em 1949, quando pastoreava em Bauru, e daí em diante pregou a morte do velho homem com Cristo e o novo nascimento: por décadas entre os ribeirinhos do rio Paraná, depois em Londrina193. Os títulos dos seus sermões resumem este assunto: A vida que nasce da morte, Vida através da morte, Nos ressuscitou, Cristo, nossa vida!. Na apresentação de Importa Renascer, ele diz ter escrito o livro como “um grito de alarme”, para que os leitores “não desçam ao túmulo sem a certeza do novo nascimento”194.

Entre os que ele influenciou está o pastor Glênio Fonseca Paranaguá, da Primeira Igreja Batista em Londrina desde 1974, autor de Cruz-Credo! O credo da cruz e de A morte do grão de trigo. Ele escreveu: “não basta pregar a mensagem correta de Cristo crucificado. É preciso ter também o espírito de um crucificado. […] A teologia certa da cruz de Cristo carece da certeza de que fomos realmente crucificados com ele.” E: “não há cristianismo autêntico sem a morte do velho Adão que nos comandava. É preciso tirar o tirano para Cristo viver em nós.”195

Do mesmo círculo, Sinval Teófilo da Silva escreveu em 1998 a diferença entre esta doutrina e a impecabilidade: “não é a heresia da impecabilidade. É a plena certeza de que Cristo tem poder para nos guardar do pecado.” E Edward Burke Junior, em Londrina, a explicou assim: quando se fala de impecabilidade, “a capacidade de não pecar está no homem”; na libertação que as Escrituras ensinam, “o poder para esta libertação não está no homem, mas no poder da vida em Cristo Jesus”196. A força não é do homem. É a mesma frase, em Londres, na China, no México e em Londrina.

Como fica o coração da igreja neste ensino?

Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele;2 Timóteo 2.11

O evangelho que Paulo recebeu cabe em três verbos, e eles têm dois sujeitos. Cristo morreu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. E o crente, incluído nele quando ele foi levantado da terra, morreu com ele, foi sepultado com ele e ressuscitou com ele. Não apenas ele morreu: eu morri. E não apenas ele vive: eu vivo, “pela fé no Filho de Deus”197.

Essa vida é um nascimento. Ninguém a produz por religião, por cargo ou por esforço: “importa-vos nascer de novo”198. Deus inclui em Cristo, faz morrer nele e dá vida com ele, e a vida de Cristo no crente é o novo nascimento. E quem nasceu de Deus não pode mais viver na prática do pecado, porque a semente de quem o gerou permanece nele.

O crente pode viver sem pecar. Não porque deixou de poder pecar, mas porque a força para não pecar não é dele: é de Deus, que não permite tentação além das forças e manda, junto com cada uma, a saída. E se, todavia, alguém pecar, o Advogado está junto ao Pai, e a confissão e o arrependimento abrem o caminho de volta no mesmo dia. A provisão para a queda nunca foi licença para cair.

Sem o novo nascimento, ninguém vê o reino. E a pergunta de Jesus continua de pé: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”199 Deus prometeu um mundo novo: “esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”200. Nele entrarão “somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”201. A porta desse mundo é a mesma do reino: nascer de novo.

Se você ainda não tem essa certeza, a oração não precisa de palavras bonitas. Pode ser assim: Senhor, tem misericórdia de mim, que tenho natureza pecadora. Dá-me da tua natureza divina, tira o meu coração duro e dá-me um coração novo e puro em Cristo. Eu creio que ele morreu por mim e que eu morri com ele. Faze-me nascer de novo. “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus”202.

E se você já nasceu de novo, conte com o que Deus contou. Na hora da tentação, a resposta é a do capítulo 6: eu morri para isso. Na hora da queda, a de 1 João: confesso, e ele é fiel. E todo dia, a de Paulo: “Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele”203. O túmulo onde o velho homem ficou não tem porta de volta; o caminho de quem ressuscitou é para a frente. “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo”204.

Notas

1. Παρέδωκα… παρέλαβον, entreguei… recebi: são os verbos com que se passa adiante uma tradição, os mesmos da Mishná para a Torá oral: Moshe qibbel Torah mi-Sinai u-masarah li-Yehoshua, “Moisés recebeu a Torá do Sinai e a entregou a Josué” (Avot 1.1). A Mishná, a coleção das leis orais judaicas, foi fechada por volta do ano 200; vale como paralelo.

2. Lucas 4.43.

3. 1 Coríntios 15.3–4.

4. O Targum de Oseias, a tradução aramaica lida nas sinagogas, entende o versículo como ressurreição: yehayenana le-yomei nehamata de-atidin le-meitei, be-yom ahayut metaya yeqimennana, “ele nos fará viver nos dias da consolação que hão de vir; no dia da ressurreição dos mortos nos levantará”. E Bereshit Rabbah 56.1, sobre o “terceiro dia” de Gênesis 22.4, enumera os terceiros dias da Escritura e põe entre eles “o terceiro dia da ressurreição dos mortos”, com Oseias 6.2. O Targum dos Profetas tomou forma entre os séculos I e V, e Bereshit Rabbah é do século V; valem como paralelo.

5. Oseias 6.2.

6. Jonas 1.17.

7. Mateus 12.40.

8. Romanos 6.5.

9. Romanos 6.4.

10. Romanos 6.5.

11. João 12.33.

12. João 12.32.

13. Πάντας ἑλκύσω πρὸς ἐμαυτόν. Ἑλκύω é puxar, arrastar com força: é o verbo da rede que os discípulos “já não podiam puxar” (João 21.6) e que Pedro “arrastou… para a terra” (21.11), e o de João 6.44, “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer”.

14. 1 Coríntios 15.22.

15. Romanos 5.12.

16. 1 Coríntios 15.45.

17. Romanos 5.19.

18. Εἷς ὑπὲρ πάντων ἀπέθανεν· ἄρα οἱ πάντες ἀπέθανον. Ἄρα é a partícula da conclusão: Paulo não diz que todos deveriam morrer, nem que um dia vão morrer. Diz que morreram, no aoristo, o tempo do fato acontecido.

19. 2 Coríntios 5.14.

20. Hebreus 7.9.

21. Hebreus 7.10.

22. Ἔτι γὰρ ἐν τῇ ὀσφύϊ τοῦ πατρὸς ἦν, ainda estava nos lombos do pai: é a expressão que a Almeida Revista e Atualizada verte por “ainda não tinha sido gerado por seu pai”.

23. Romanos 6.5.

24. Romanos 3.10.

25. Romanos 5.20.

26. Romanos 6.2.

27. Οἵτινες ἀπεθάνομεν τῇ ἁμαρτίᾳ, πῶς ἔτι ζήσομεν ἐν αὐτῇ; O verbo está no aoristo, o tempo do acontecimento concluído, e ἔτι, ainda, olha para a vida de antes como coisa encerrada.

28. Judas 1.4.

29. 2 Pedro 2.19.

30. Romanos 6.2.

31. Βαπτίζω é mergulhar, submergir; e a preposição é εἰς, para dentro de: ἐβαπτίσθημεν εἰς Χριστὸν Ἰησοῦν… εἰς τὸν θάνατον αὐτοῦ, fomos mergulhados para dentro de Cristo Jesus… para dentro da sua morte. Συνετάφημεν, fomos sepultados com, é verbo composto com σύν, com, como συνεσταυρώθη (6.6) e συνζήσομεν (6.8).

32. Colossenses 2.12.

33. Atos 22.16.

34. Talmude Babilônico, Yevamot 47b, sobre o pagão que se convertia: depois da circuncisão, matbilin oto, “fazem-no imergir”, e taval ve-alah, harei hu ke-Yisrael le-khol devarav, “mergulhou e subiu: é como um israelita em tudo”. O Talmude foi fechado por volta do ano 600; vale como paralelo.

35. Gálatas 3.27.

36. 1 Coríntios 15.4.

37. Marcos 15.44.

38. Deuteronômio 21.23.

39. João 19.31.

40. Isaías 53.9.

41. Mateus 27.57.

42. Mateus 27.60.

43. João 19.40.

44. Romanos 6.4.

45. Efésios 4.22.

46. Colossenses 3.9.

47. Romanos 6.6.

48. Romanos 6.6.

49. Ἵνα καταργηθῇ τὸ σῶμα τῆς ἁμαρτίας: καταργέω é tornar inoperante, desativar. É o mesmo verbo de Hebreus 2.14, onde a Almeida Revista e Atualizada diz que Cristo, por sua morte, “destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”: o diabo não deixou de existir, deixou de ter o poder.

50. Romanos 6.7.

51. Ὁ γὰρ ἀποθανὼν δεδικαίωται ἀπὸ τῆς ἁμαρτίας: δεδικαίωται, perfeito passivo de δικαιόω, é foi declarado justo, está quite. É linguagem de tribunal: a morte encerra a conta.

52. Talmude Babilônico, Shabbat 30a, em nome de Rabi Yohanan, sobre o Salmo 88 (no hebraico, o versículo 6; na Almeida Revista e Atualizada, 88.5, “atirado entre os mortos”): ele lê ba-metim hofshi como “livre entre os mortos” e explica: keivan she-met adam naaseh hofshi min ha-Torah u-min ha-mitsvot, “quando o homem morre, fica livre da Torá e dos mandamentos”. O mesmo dito está em Niddah 61b. O Talmude foi fechado por volta do ano 600; vale como paralelo.

53. Romanos 7.4.

54. Romanos 6.6.

55. Romanos 6.18.

56. Gálatas 2.19.

57. Χριστῷ συνεσταύρωμαι: perfeito de συσταυρόω, crucificar junto. O perfeito grego fala de um ato passado cujo resultado continua: fui crucificado com Cristo e continuo crucificado. O mesmo verbo é usado para os dois ladrões “crucificados com” Jesus (Mateus 27.44; Marcos 15.32; João 19.32).

58. Gálatas 2.20.

59. Ζῶ δὲ οὐκέτι ἐγώ, ζῇ δὲ ἐν ἐμοὶ Χριστός: o eu que deixou de viver é o de antes; o que continua, no versículo seguinte, é o mesmo Paulo, agora vivendo “pela fé no Filho de Deus”.

60. Gálatas 2.20.

61. Gálatas 5.24.

62. Gálatas 6.14.

63. Colossenses 3.1.

64. Efésios 2.5.

65. Efésios 2.6.

66. Talmude Babilônico, Berakhot 18a e 18b, sobre Eclesiastes 9.5: tsaddiqim she-be-mitatan niqreu hayyim, “os justos, mesmo na sua morte, são chamados vivos”; e reshaim she-be-hayyeihen qeruyin metim, “os ímpios, mesmo em vida, são chamados mortos”. O Talmude foi fechado por volta do ano 600; vale como paralelo.

67. Efésios 2.1.

68. João 3.10.

69. Romanos 3.23.

70. Ἐὰν μή τις γεννηθῇ ἄνωθεν: ἄνωθεν quer dizer de novo e do alto. João a usa no segundo sentido em 3.31, “Quem vem das alturas”, e em 19.11, “se de cima não te fosse dada”. Nicodemos entendeu só o primeiro, e perguntou por um nascimento δεύτερον, segunda vez (3.4).

71. João 3.4.

72. Talmude Babilônico, Yevamot 22a: ger she-nitgayer ke-qatan she-nolad dami, “o convertido que se converteu é como uma criança que acabou de nascer”. Vale como paralelo; o Talmude foi fechado por volta do ano 600.

73. João 3.5.

74. Ezequiel 36.25.

75. Ezequiel 36.26.

76. João 3.14.

77. Δεῖ ὑμᾶς γεννηθῆναι ἄνωθεν (3.7) e οὕτως ὑψωθῆναι δεῖ τὸν Υἱὸν τοῦ ἀνθρώπου (3.14): o mesmo δεῖ, é necessário, nas duas frases.

78. Números 21.8.

79. João 3.15.

80. João 12.32.

81. 2 Coríntios 5.14.

82. Romanos 6.6.

83. Efésios 2.5.

84. Ἀναγεννήσας ἡμᾶς… δι’ ἀναστάσεως Ἰησοῦ Χριστοῦ ἐκ νεκρῶν: ἀναγεννάω é gerar de novo, e o meio é a ressurreição de Jesus. Em Tito 3.5, “o lavar regenerador” traduz λουτροῦ παλινγενεσίας, o banho do novo nascimento.

85. 1 Pedro 1.3.

86. João 1.13.

87. Tiago 1.18.

88. 1 Pedro 1.23.

89. Ezequiel 36.26.

90. 2 Pedro 1.4.

91. C. H. Spurgeon, sermão nº 1455, Every Man’s Necessity, sobre João 3.7, Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol. 25 (Londres, 1879), p. 50: Regeneration is a great deal more than reformation of life, or a becoming religion; for it is not “Ye must be washed, ye must be improved, ye must be elevated;” but “ye must be born.” Os sermões de Spurgeon foram conferidos no fac-símile da edição original, que o Spurgeon Center publica em spurgeon.org; as edições modernizadas trocam palavras. Tradução nossa.

92. C. H. Spurgeon, sermão nº 3121, The Necessity of Regeneration, também sobre João 3.7, pregado em 29 de novembro de 1874 e publicado em 1908, Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol. 54, p. 578: We must have that life or we cannot see or enter the kingdom of God. Tradução nossa.

93. C. H. Spurgeon, sermão nº 130, Regeneration, sobre João 3.3, pregado em 3 de maio de 1857, New Park Street Pulpit, vol. 3, p. 188: The change is radical; it gives us new natures, makes us love what we hated and hate what we loved. Tradução nossa.

94. Spurgeon, sermão nº 1455, p. 52: You must come to know vitally, indeed and of a truth, in your own soul, what it is for the flesh to be crucified with Christ, and for a new life to be implanted in you supernaturally as the work of the Holy Ghost, or else you cannot enter into the kingdom of God. Tradução nossa.

95. 1 João 5.1.

96. 1 João 5.12.

97. 1 João 5.13.

98. Romanos 6.11.

99. Λογίζεσθε ἑαυτοὺς εἶναι νεκροὺς μὲν τῇ ἁμαρτίᾳ: λογίζομαι é verbo de contabilidade, lançar na conta, contar como. Em Romanos 4 aparece onze vezes, para a justiça que Deus imputou a Abraão: “isso lhe foi imputado para justiça” (4.3).

100. Romanos 4.3.

101. Romanos 6.6.

102. Romanos 6.9.

103. Romanos 6.11.

104. Romanos 6.13.

105. Romanos 6.10.

106. Talmude Babilônico, Tamid 32a, no diálogo lendário de Alexandre Magno com os sábios do Neguev: mah yaaved inish ve-yihyeh? Amru leh: yamit atsmo. Mah yaaved inish ve-yamut? Yehayyeh et atsmo, “Que fará o homem para viver? Responderam: mate a si mesmo. Que fará o homem para morrer? Mantenha-se vivo”. E Berakhot 63b, em nome de Resh Laqish: a Torá só permanece be-mi she-memit atsmo aleha, “em quem se mata por ela”, com Números 19.14, “Esta é a lei quando morrer algum homem em alguma tenda”. O Talmude foi fechado por volta do ano 600; vale como paralelo.

107. Marcos 8.35.

108. Romanos 6.12.

109. Μὴ οὖν βασιλευέτω: imperativo presente, não continue reinando. E no versículo 13 a diferença entre μηδὲ παριστάνετε, presente, não continueis oferecendo, e παραστήσατε, aoristo, oferecei de uma vez.

110. Romanos 6.13.

111. Romanos 6.16.

112. Romanos 6.14.

113. Ἁμαρτία γὰρ ὑμῶν οὐ κυριεύσει: futuro do indicativo. Não é só ordem; é promessa.

114. Romanos 6.14.

115. 1 João 3.9.

116. Πᾶς ὁ γεγεννημένος ἐκ τοῦ Θεοῦ ἁμαρτίαν οὐ ποιεῖ… καὶ οὐ δύναται ἁμαρτάνειν: os dois verbos estão no presente, o tempo da ação contínua. A Almeida Revista e Atualizada traduz bem: “não vive na prática de pecado… não pode viver pecando”. Em 2.1, ao contrário, João usa o aoristo, ἐὰν… ἁμάρτῃ, para o ato de pecar.

117. 1 João 3.9.

118. 1 João 3.8.

119. 1 João 5.18.

120. 1 João 4.4.

121. Talmude Babilônico, Sucá 52a: dos nomes do mau impulso, Yehezqel qarao even, “Ezequiel o chamou de pedra”, com Ezequiel 36.26; e, em nome de Rabi Yehudah, le-atid lavo mevio ha-Qadosh barukh Hu la-yetser ha-ra ve-shohato, “no tempo que há de vir, o Santo, bendito seja, trará o mau impulso e o degolará” diante dos justos e dos ímpios. O Talmude foi fechado por volta do ano 600; vale como paralelo.

122. Romanos 8.3.

123. 1 João 2.1.

124. 1 Coríntios 10.13.

125. 1 João 2.1.

126. 1 João 2.1.

127. Gálatas 5.16.

128. Judas 1.24.

129. Ἐὰν εἴπωμεν ὅτι ἁμαρτίαν οὐκ ἔχομεν (1.8), no presente, e ἐὰν εἴπωμεν ὅτι οὐχ ἡμαρτήκαμεν (1.10), no perfeito: negar que se tem pecado e negar que se pecou.

130. 1 João 1.8.

131. 1 João 1.10.

132. 1 João 2.1.

133. 1 João 3.9.

134. Romanos 7.14.

135. Romanos 6.18.

136. Romanos 8.2.

137. Ezequiel 36.27.

138. Mateus 6.13.

139. 2 Coríntios 12.9.

140. Agostinho, De correptione et gratia 12.33: Prima ergo libertas voluntatis erat, posse non peccare; novissima erit multo maior, non posse peccare, “a primeira liberdade da vontade era poder não pecar; a última será muito maior: não poder pecar”.

141. 1 Coríntios 10.12.

142. 1 João 1.7.

143. 1 Coríntios 15.10.

144. Filipenses 2.12.

145. Filipenses 2.13.

146. João 15.5.

147. 2 Coríntios 3.5.

148. Colossenses 1.29.

149. 2 Coríntios 12.9.

150. Filipenses 4.13.

151. Agostinho, Confissões 10.31.45: depois de citar Filipenses 4.13, omnia possum in eo qui me confortat, ele pede: conforta me ut possim, “fortalece-me para que eu possa”.

152. Gálatas 5.16.

153. Πνεύματι περιπατεῖτε καὶ ἐπιθυμίαν σαρκὸς οὐ μὴ τελέσητε: οὐ μή com o subjuntivo aoristo é a negação mais forte do grego, de modo nenhum. A Almeida Revista e Atualizada diz “jamais satisfareis”.

154. Gálatas 5.17.

155. Romanos 8.13.

156. Τῷ δὲ δυναμένῳ φυλάξαι ὑμᾶς ἀπταίστους: ἄπταιστος é sem tropeço. E 2 Pedro 1.10 promete aos que acrescentam à fé as virtudes da lista: οὐ μὴ πταίσητέ ποτε, de novo a negação mais forte, “não tropeçareis em tempo algum”.

157. Judas 1.24.

158. 1 Tessalonicenses 5.23.

159. 1 Tessalonicenses 5.24.

160. 1 Coríntios 10.12.

161. 1 Coríntios 10.13.

162. 1 Coríntios 10.13.

163. Ποιήσει σὺν τῷ πειρασμῷ καὶ τὴν ἔκβασιν: ἔκβασις é saída, o caminho por onde se sai. O artigo, a saída, sugere que cada tentação vem com a sua.

164. Tiago 1.14.

165. Tiago 1.15.

166. Hebreus 4.15.

167. Hebreus 2.18.

168. Hebreus 4.16.

169. 1 João 2.1.

170. 1 João 2.1.

171. Ταῦτα γράφω ὑμῖν ἵνα μὴ ἁμάρτητε. καὶ ἐάν τις ἁμάρτῃ: ἐάν com o subjuntivo aoristo apresenta um caso possível, o ato de pecar, e não uma previsão. Παράκλητος, Advogado, é quem é chamado para ficar ao lado do acusado.

172. 1 João 2.1.

173. 1 João 2.2.

174. 1 João 1.9.

175. Lucas 22.32.

176. Colossenses 3.3.

177. Colossenses 3.5.

178. Ἀπεθάνετε γάρ (3.3) e Νεκρώσατε οὖν (3.5): o primeiro, morrestes, é o fato; o segundo, imperativo aoristo de νεκρόω, fazei morrer, é a ordem que nasce dele. Em Romanos 8.13, θανατοῦτε está no presente: é para fazer sempre.

179. Lucas 9.23.

180. 1 Coríntios 15.31.

181. 2 Coríntios 4.10.

182. João 12.25.

183. Romanos 8.13.

184. Romanos 12.1.

185. C. H. Spurgeon, sermão nº 1410, Believers Free from the Dominion of Sin, sobre Romanos 6.14, pregado em 21 de abril de 1878, Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol. 24, p. 237: You died with Christ and you have been buried with Christ, how then shall sin have dominion over you? Tradução nossa.

186. C. H. Spurgeon, sermão nº 781, Christus et Ego, sobre Gálatas 2.20, pregado em 17 de novembro de 1867, Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol. 13, p. 643: Come, world, with all thy witchery; come, pleasure, with all thy charms […] what can you do with a crucified man? How can you tempt one who is dead to you? Tradução nossa.

187. Spurgeon, sermão nº 882, p. 417: Your killing of your sin is not in your power, but if Jesus go with you, it will be done; e, na mesma página, There is no death for sin except in the death of Christ. Tradução nossa.

188. Carta de J. Hudson Taylor à irmã Amelia, Chinkiang, 17 de outubro de 1869, no texto integral publicado por Howard e Geraldine Taylor, Hudson Taylor and the China Inland Mission: The Growth of a Work of God (Londres, 1918), cap. 12, “The Exchanged Life”, p. 173–177: I am dead and buried with Christ, aye, and risen too and ascended… I now believe I am dead to sin. God reckons me so, and tells me to reckon myself so. He knows best; e adiante: I am as capable of sinning as ever, but Christ is realised as present as never before. He cannot sin; and He can keep me from sinning. I cannot say… that since I have seen this light I have not sinned; but I do feel there was no need to have done so. A versão abreviada de Hudson Taylor’s Spiritual Secret (1932) corta este último trecho. Tradução nossa.

189. Watchman Nee, The Normal Christian Life, na edição de Angus Kinnear (Bombaim, 1957), cap. 2: The Blood deals with the sins, but the Cross must deal with the sinner; cap. 4: It is not reckoning toward death but from death; cap. 6: Knowing, reckoning, presenting to God: that is the Divine order. No Brasil, A Vida Cristã Normal. Tradução nossa.

190. F. J. Huegel, Bone of His Bone, cap. 5: It is not simply Christ dying for the sinner. It is the sinner dying in Christ; e cap. 1: It is not an Imitation of Christ. It is a Participation of Christ. L. E. Maxwell, Born Crucified (Chicago, Moody Press, 1945), cap. 1: I have been “born crucified” (that is, when I was born again); e cap. 2: God’s way of victory is through crucifixion. Tradução nossa.

191. A. W. Tozer, “The Old Cross and the New”, publicado em 1946 na revista da Aliança Cristã e Missionária e recolhido em Man: The Dwelling Place of God (1966): The new cross does not slay the sinner, it redirects him; e The cross that ended the earthly life of Jesus now puts an end to the sinner; and the power that raised Christ from the dead now raises him to a new life along with Christ. Tradução nossa.

192. Dietrich Bonhoeffer, Nachfolge (Munique, 1937), cap. “Die Nachfolge und das Kreuz”: Jeder Ruf Christi führt in den Tod. A frase conhecida em inglês, “When Christ calls a man, he bids him come and die”, é tradução livre de R. H. Fuller.

193. Os dados são do verbete da Wikipédia e da descrição dos vídeos dele no canal da Primeira Igreja Batista em Londrina, que reproduzem a mesma biografia; a lista de mensagens dele, no mesmo canal, tem 68 sermões. Livros: Importa Renascer e Ministro, Salva-te a Ti Mesmo (Londrina, Grafman), Barro em Suas Mãos e A Graça Plena de Deus (Londrina, Vale Estreito).

194. Apresentação de Importa Renascer, na página do autor na Editora Vale Estreito: “agora escrevendo este livro como um grito de alarme para que se libertem dessa ‘geração perversa’ e vida infrutífera, sem glória para Deus, e acima de tudo, não desçam ao túmulo sem a certeza do novo nascimento”.

195. Glenio Fonseca Paranaguá, “inimigos da cruz de Cristo II”, no blog vale estreito, 25/09/2013; e “espírito da cruz 6: no cemitério não há sindicato”, 24/11/2014, os dois assinados por ele. Seus livros sobre o tema saíram pela Editora Vale Estreito, de Londrina.

196. Sinval Teófilo da Silva, O Cativeiro Acabou (Brasília, 1998); Edward Burke Junior, O Crente Carnal e o Crente Espiritual, no site Charis: o Correio da Graça, de Londrina. Os dois citam a Bíblia por outra tradução; os versículos deste estudo estão na Almeida Revista e Atualizada.

197. Gálatas 2.20.

198. João 3.7.

199. Marcos 8.36.

200. 2 Pedro 3.13.

201. Apocalipse 21.27.

202. 1 João 5.1.

203. 2 Timóteo 2.11.

204. 1 Coríntios 15.57.

Citar este artigo: Prof. Philippe Ávila. “Você já nasceu de novo? Tem certeza absoluta de que entrará no reino de Deus?.” Bereano, out. 2026.© Prof. Philippe Ávila. Conteúdo protegido por direitos autorais. A reprodução é permitida apenas de forma parcial, sempre com citação do autor e da fonte (bereano.com).

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