Ontem e hoje, o Supremo Tribunal Federal esteve decidindo se explorar jogo do bicho, bingo e caça-níqueis continua sendo crime no Brasil. O caso chegou lá pelas mãos de um comerciante gaúcho absolvido por manter três máquinas caça-níqueis no seu estabelecimento. A pergunta técnica é se o artigo 50 da Lei das Contravenções Penais, assinada por Getúlio Vargas em 1941, sobreviveu à Constituição de 1988. O julgamento é de repercussão geral, relatado pelo ministro Luiz Fux, e a tese que sair dali vai decidir 2.728 processos parados em todas as instâncias do país.
Fux sinalizou voto pela manutenção da proibição. Disse uma frase que merece ser guardada: não há como falar em livre iniciativa quando o assunto é jogo de azar, porque são conceitos que se opõem. E devolveu a bola ao Congresso: se é para mudar, que mude o legislador.
Só que não é dessa frase que eu quero tratar. É de outra, dita da tribuna por quem sustentava o lado contrário.
A frase que caiu no plenário e que a igreja precisava ter ouvido
Falando pela Associação Nacional de Prefeitos e Vice-Prefeitos, a advogada Alessandra Jirardi levantou o argumento mais incômodo de toda a sessão: o próprio Estado explora loterias. Se o Estado vende Mega-Sena na esquina, com que autoridade ele diz que o caça-níquel ofende a moralidade pública? Não é retórica barata. É um problema real, e o Brasil o construiu em três atos, cada um deles defensável sozinho.
Em 2020, o STF julgou as ADPFs 492 e 493 e a ADI 49861 e decidiu, por unanimidade, que a União tem o monopólio de legislar sobre loterias, mas não a exclusividade de explorá-las. Loteria virou serviço público, e os estados foram autorizados a entrar no negócio. Em 2023, o Congresso aprovou a Lei 14.790, legalizando e tributando as bets. E agora, em 2026, o Supremo discute se o caça-níquel do comerciante gaúcho ainda é contravenção penal.
Some os três: o Estado brasileiro explora, licencia, tributa, e ainda prende. Não é hipocrisia de um agente. É incoerência estrutural. E antes que a gente aponte o dedo, convém olhar para o próprio salão: quantas igrejas condenam a bet no domingo de manhã e rifam uma cesta na quarta-feira à noite para consertar o telhado?
O problema é que a nossa resposta costuma ser “eu acho”
A pergunta constrange por uma razão anterior a ela: nunca fundamentamos a nossa própria resposta. Pergunte a dez cristãos se jogar na Mega-Sena é pecado. Você vai ouvir dez respostas e nenhuma fundamentação. Uns dirão que é, porque “é do mundo”. Outros dirão que não, porque “não tem nada na Bíblia sobre isso”. Um terceiro dirá que depende do coração, o que é verdade e não é resposta, porque tudo depende do coração, e isso não resolve caso nenhum.
Esse é o estado da questão na igreja brasileira: opinião forte, base fraca. E o resultado é previsível. Quando o cristão precisa se posicionar sobre um tema que o país inteiro está discutindo, ele não tem o que dizer além do que já ouviu dizer.
Não é assim que se lê a Bíblia. Os bereanos, que examinavam as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram mesmo assim, conferiram até o apóstolo. A honra do nome deste site vem daí. Então vamos fazer o que eles fariam: abrir o texto, ler o que está escrito, ler também o que não está escrito, e só então concluir.
Adianto que o caminho tem um susto logo na entrada.
Jogo de azar é pecado? O primeiro susto: não existe “não apostarás”
Não há proibição do jogo na Torá. Não há no Decálogo. Não há no ensino de Jesus. E há um dado ainda mais duro, que praticamente ninguém menciona no púlpito: o jogo não aparece em nenhuma lista de vícios do Novo Testamento.2
Confira uma por uma: Romanos 1.29–31, 1 Coríntios 6.9–10, Gálatas 5.19–21, Efésios 5.3–5, Colossenses 3.5–8, 1 Timóteo 1.9–10, Apocalipse 21.8 e 22.15. São listas longas, específicas, que nomeiam de homicídio a maledicência. Nenhuma delas menciona o jogo.
Se pecado é transgressão da lei, como define João:
Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.1 João 3.4
Então a aposta em si não é pecado, porque não há lei de Deus formal sendo transgredida. Isso precisa ser dito com todas as letras, e é exatamente o que os proibicionistas evitam dizer.
Tecnicamente, portanto, o jogo cai numa categoria que a teologia batizou com uma palavra difícil: adiáfora, ou seja, coisa indiferente, que Deus nem mandou nem proibiu. E não sou eu quem está dizendo isso. O Sínodo de Wisconsin (a WELS, denominação luterana norte-americana de linha confessional estrita, nada frouxa em matéria de ética) reconhece que o jogo não é mencionado especificamente na Bíblia e por isso cai nessa categoria, ainda que não o recomende.
E a Confissão de Westminster (símbolo de fé redigido em 1646, padrão doutrinário das igrejas presbiterianas e reformadas até hoje) é severa com quem inventa mandamento: “Somente Deus é o Senhor da consciência, e a deixou livre das doutrinas e mandamentos de homens que sejam de algum modo contrários à Sua Palavra, ou fora dela, em matéria de fé ou de culto.”3
A palavra “jogo de dados” está no Novo Testamento, e foi usada uma vez só
Se não há mandamento, a pergunta seguinte é o que a Escritura diz nas poucas vezes em que o assunto encosta nela. Aqui entra um detalhe que corta para os dois lados, e por isso mesmo é honesto.
A palavra grega para jogo de dados é κυβεία (kubeia), derivada de κύβος, o cubo, o dado. Ela aparece no Novo Testamento. Uma vez apenas, em Efésios 4.14, quando Paulo fala dos que são levados por todo vento de doutrina “pela kubeia dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.
E ali ela não significa jogo. Significa trapaça. A palavra migrou de “jogo de dados” para “fraude” porque os jogadores trapaceavam tanto que o nome do jogo virou o nome do golpe. A imagem por trás é a do mão-leve que esconde um segundo par de dados na palma.4
Para quem defende a severidade: no primeiro século, o jogo era tão notoriamente fraudulento que Paulo pôde usá-lo como metáfora de engano sem precisar explicar a figura. Para quem defende a liberdade: o Espírito Santo tinha a palavra à disposição e não a usou uma única vez para proibir a prática.
Guarde as duas leituras. As duas são verdadeiras, e nenhuma delas encerra a questão.
Então a Bíblia é omissa? Ela fala de sorte quase setenta vezes
Aqui está o ponto que muda a conversa. A Escritura não fala de jogo, mas fala de sorte o tempo todo, e não do mesmo jeito. São quase setenta ocorrências, e elas se dividem em quatro grupos que raramente alguém separa.
Primeiro grupo: a sorte no culto, ordenada por Deus. Os dois bodes do Dia da Expiação são definidos por sorte, e a sorte decide qual morre (Lv 16.8). O Urim e o Tumim ficavam no peitoral do sumo sacerdote (Êx 28.30). Os turnos de sacerdotes, cantores e porteiros foram distribuídos por sorte (1Cr 24 a 26). E, já no Novo Testamento, Zacarias foi tirado por sorte para queimar o incenso na noite em que o anjo lhe apareceu (Lc 1.9).
Segundo grupo: a partilha da herança. A terra prometida inteira foi repartida por sorte (Nm 26.55; Js 14 a 19). O cumprimento da promessa a Abraão foi distribuído por um método que, visto de fora, é idêntico a um sorteio.
Terceiro grupo: a sorte que descobre e decide. Acã foi apontado por sorte (Js 7.14-18). Saul foi escolhido rei por sorte (1Sm 10.20-21). Os marinheiros descobriram Jonas por sorte (Jn 1.7). E Matias foi acrescentado aos onze por sorte (At 1.26).
Quarto grupo, e este ninguém cita: a sorte na mão dos ímpios. Hamã lançou o pur para escolher o dia do extermínio dos judeus, e a festa de Purim leva o nome dessa sorte (Et 3.7; 9.24-26). O rei da Babilônia sacudiu flechas e examinou fígados para decidir por qual cidade começar (Ez 21.21). Inimigos lançaram sortes sobre o povo de Deus, repartindo cativos como despojo (Jl 3.3; Na 3.10). E os soldados lançaram sortes pela túnica de Cristo (Jo 19.23-24).
Repare no que isso significa. A mesma sorte que Josué usou, Hamã usou. O instrumento não santifica nem condena. Quem o usa, e para quê, é que decide.
E vale um cuidado na leitura de Jonas, que costuma ser mal usada: quem lança as sortes ali são marinheiros pagãos, cada um clamando ao seu próprio deus. Deus honra a sorte deles do mesmo modo que já mandara o vento e depois prepararia o peixe, a aboboreira e o verme. O texto não ensina método de consulta. Ensina que Deus governa até a superstição do pagão para alcançar o profeta fugitivo. O texto conta o que aconteceu; não manda ninguém fazer igual, e essa diferença sozinha resolve metade das brigas sobre ética bíblica.
O que Provérbios 16.33 diz, e o que fazem ele dizer
A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão.Provérbios 16.33
Entre as quase setenta ocorrências, esta é a que virou versículo padrão da discussão. E é citada pelos dois lados, sem que nenhum deles a leia direito. Não é permissão do jogo, e não é proibição. É uma afirmação de soberania. O provérbio diz que não existe acaso: aquilo que ao homem parece aleatório está sob governo. Vale para o dado, e vale igualmente para a chuva, para o sorteio da escala de trabalho e para o dia em que você nasceu.
O versículo descreve como Deus governa; não receita um método para o homem usar. Quem o usa para autorizar a aposta está fazendo o texto dizer o que ele não diz. E quem o usa para condenar, argumentando que o jogador “força a mão de Deus”, também.
O versículo que quase ninguém usa, e que é o melhor argumento dos dois
A sorte faz cessar os pleitos e decide entre os poderosos.Provérbios 18.18
Se Provérbios 16.33 não resolve nada, há dois capítulos adiante um provérbio que resolve muito, e é raríssimo vê-lo citado nessa discussão. O contexto é de tribunal: um jeito de desempatar causas emperradas entre gente influente, justamente para que o mais forte não vença pelo peso que tem. Ou seja: a sorte de Provérbios 18.18 existe para proteger o fraco do forte.
Sansão apostou trinta mudas de roupa – e não foi por isso que Deus o julgou
Antes de deixar o Antigo Testamento, falta o caso concreto, aquele que sempre aparece quando a discussão desce da teoria para a mesa. “Mas então posso apostar um almoço com um amigo?” A pergunta é justa, e a Bíblia tem um caso idêntico. No banquete de casamento, Sansão propôs um enigma a trinta filisteus e fez uma aposta formal: trinta camisas de linho e trinta mudas de roupa, prazo de sete dias (Jz 14.12-19). Valor alto. Aposta pública. Agora repare no que a narrativa faz e no que ela não faz. Ela condena a pressão da mulher, a traição dos companheiros, a ira e a matança que vem depois. Não há uma palavra de censura à aposta em si. Quando Deus julga Sansão (e julga), não é pelo que ele arriscou no enigma.
Some-se que a rainha de Sabá viajou para propor “questões difíceis” a Salomão, e que enigmas com prêmio eram forma corrente de convívio naquele mundo. A Escritura conhece a aposta amistosa e não a proíbe.
Então a resposta honesta é: dois amigos, valor que nenhum dos dois vai sentir falta, sem casa que lucre, sem terceiro prejudicado, sem domínio sobre o coração de ninguém, não há base bíblica para chamar isso de pecado. Chamar seria acrescentar à Palavra.
Mas segure essa conclusão, porque ela tem um preço que quase ninguém quer pagar. Volto a ele no fim.
Dezessete séculos de igreja dizendo não
Encerrado o que a Escritura diz, resta ouvir quem a leu antes de nós, e aí o tom muda por completo. Ninguém diga que a igreja foi omissa. Ela foi duríssima, e desde muito cedo. Os Cânones dos Apóstolos (coletânea de 85 regras de disciplina eclesiástica compilada na Síria por volta do século IV, entre as mais antigas do corpo canônico e recebida no Oriente como direito da Igreja) proíbem o jogo a clérigos e leigos: “Que o bispo, presbítero ou diácono que se entrega aos dados ou à bebida deixe essas práticas, ou seja deposto”, e o cânon seguinte estende a excomunhão ao leigo. O Concílio de Elvira, na Espanha, por volta do ano 305 (o mais antigo concílio cujas atas chegaram completas até nós, reunido quando a Igreja ainda era perseguida), determinou no cânon 79 que o fiel flagrado jogando a dinheiro fosse excluído da comunhão, readmitido depois de um ano mediante emenda. O Concílio Quinissexto, reunido em Trulo em 692 (chamado assim por completar o quinto e o sexto concílios ecumênicos, que haviam tratado só de doutrina e não de disciplina), repetiu a proibição no cânon 50, e esse cânon continua vigente na Ortodoxia até hoje.5 O IV Concílio de Latrão, em 1215 (o maior concílio do Ocidente medieval, convocado por Inocêncio III, que fixou boa parte da disciplina da Igreja latina), proibiu ao clérigo jogar ou estar presente a jogos de azar, e o decreto entrou para o direito canônico.
Havia tratados inteiros. O De Aleatoribus, “Sobre os jogadores de dados”, escrito entre 180 e 280, é a mais longa obra antijogo dos três primeiros séculos cristãos.6 Tertuliano condenou o jogo no De Spectaculis7; Cipriano de Cartago arrolou “a prodigalidade com o jogo” entre os vícios graves.8
Roma abriu a porta, e deixou quatro trancas que as bets não conseguem passar
Esse consenso atravessou mais de um milênio sem racha. Quem primeiro o afrouxou foi justamente Roma. A Igreja Católica é hoje a mais permissiva das tradições históricas nesse ponto, e é preciso ser justo ao expor sua posição. O Catecismo, no parágrafo 2413, diz que os jogos de azar e as apostas “não são em si mesmos contrários à justiça”, tornando-se moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa do necessário para si e para os seus. E acrescenta que a paixão do jogo arrisca-se a tornar-se uma escravidão grave.
Não é mau por natureza, portanto; o que o torna mau são as circunstâncias. Mas a tradição moral católica fixou quatro condições para que o jogo seja lícito: propriedade legítima do que se aposta, liberdade de ação sem coação, ausência de fraude e (esta é a que interessa) igualdade entre as partes, ou seja, que os dois lados corram o mesmo risco.9
Pare na quarta. Numa loteria estatal, num caça-níquel ou numa bet, a igualdade entre as partes não existe. A casa opera com vantagem matemática permanente e estrutural. Ela não pode perder no agregado; é assim que o negócio se sustenta.
Ou seja: pelo próprio critério católico clássico, o jogo comercial moderno já falha no teste. E vale registrar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil se posiciona contra os jogos de azar há mais de quatro décadas, invocando os prejuízos morais, sociais e familiares.
“Que é o jogo senão a cobiça em ação?”
Do lado protestante, a formulação que pegou não saiu de concílio nem de confissão: saiu de um púlpito. Em 1º de março de 1891, no Metropolitan Tabernacle, Charles Spurgeon10 pregava sobre Romanos 8.3–4 quando fez um comentário lateral que virou a síntese mais citada do tema. Um prelado erudito havia declarado não encontrar mandamento algum contra o jogo. Spurgeon respondeu: “Onde estavam os olhos dele? Não está claramente escrito: ‘Não cobiçarás’? Que é o jogo senão a cobiça em ação?”11
É uma resposta brilhante, e é preciso entender exatamente o que ela faz. Spurgeon não encontrou um mandamento contra o jogo. Ele fez outra coisa: mostrou que a ausência de mandamento específico não deixa a conduta fora do alcance da lei moral, porque o décimo mandamento alcança o desejo, não apenas o ato. E o desejo de ganhar sem produzir, de receber sem trabalhar, de que o dinheiro do outro passe para o meu bolso sem que eu lhe entregue coisa alguma em troca – esse desejo tem nome na Escritura, e o nome é cobiça.
Os números, e eles não são poucos
Até aqui o argumento foi bíblico e histórico. Os dados entram agora como o que são: prova de apoio. Não decidem a questão; confirmam o diagnóstico.
No Brasil, o estudo técnico do Banco Central apurou que cerca de 24 milhões de pessoas fizeram ao menos uma transferência via Pix para empresas de apostas, e que, em agosto de 2024, o equivalente a 21% de tudo o que o Bolsa Família repassou naquele mês foi usado para jogatina nas bets. A média foi de R$ 100 por pessoa: não é o grande apostador; é o volume de gente pequena. Setenta por cento eram chefes de família.
O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, da Unifesp com a Senad,12 é o dado clínico brasileiro: 28 milhões de pessoas apostaram nos últimos doze meses, 10,9 milhões apresentam comportamento de risco ou problemático e cerca de 1,4 milhão já preenchem os critérios clínicos de Transtorno do Jogo. Entre os apostadores de 14 a 17 anos, 55,2% estão em zona de risco, contra 37,7% dos adultos. E quem ganha menos de um salário-mínimo tem três vezes mais risco. Os mais prejudicados são os mais carentes.
Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde com a Umane13 calculou que as apostas custam R$ 38,8 bilhões por ano ao país, sendo R$ 17 bilhões em mortes adicionais por suicídio e R$ 10,4 bilhões em perda de qualidade de vida por depressão. Quase 79% do custo é de saúde. Enquanto isso, o endividamento das famílias brasileiras bateu o recorde da série histórica, iniciada em 2005.
No mundo, a Comissão sobre jogo da revista The Lancet Public Health, publicada em 2024, estimou que, entre adolescentes que usam cassinos online, o risco de desenvolver transtorno do jogo é de 26,4%. Um em cada quatro.
E há uma mudança de classificação oficial que quase ninguém conhece. Em 2013, o DSM-514 deixou de classificar o jogo patológico entre os transtornos do controle de impulsos e o transferiu para o capítulo dos transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos. Foi o primeiro vício comportamental que a psiquiatria reconheceu como adicção verdadeira, isto é, dependência sem substância química. A CID-11, da Organização Mundial da Saúde, seguiu o mesmo caminho.15
Olhe os critérios diagnósticos: necessidade de apostar quantias crescentes para obter a mesma excitação, e inquietação ou irritabilidade ao tentar parar. Precisar de dose maior para sentir o mesmo, e passar mal quando para: são as duas marcas clássicas do alcoolismo. A analogia da bebida não era retórica: é a estrutura clínica reconhecida. A diferença é que aqui não há molécula. O agente é o próprio comportamento.
E o transtorno raramente vem sozinho: 82,2% das pessoas com Transtorno do Jogo têm algum outro transtorno mental. Revisões que juntam dezenas de estudos encontram risco elevado de ideação e tentativa de suicídio, e mais de um terço dos jogadores problemáticos relata envolvimento com violência física por parceiro íntimo, como vítima ou como autor.
Uma observação de honestidade intelectual, que faço de propósito: a maior parte desses estudos é uma fotografia de um momento, não um acompanhamento das mesmas pessoas ao longo dos anos. Eles mostram que as coisas andam juntas, mas não provam que uma causa a outra, e os próprios autores fazem questão de dizer isso. Quem quer defender a verdade não precisa exagerar o dado. O quadro já é grave o bastante lido com rigor.
A máquina foi desenhada para vencer o seu cérebro
Há, porém, um dado que não depende de contagem de casos nem de discussão sobre causa e efeito. É o ponto que muda a moldura moral inteira, e não é opinião: é o que os exames de imagem do cérebro mostram.
O jogo usa o tipo de recompensa mais difícil de largar que a psicologia já mediu: a que você não sabe quando vem. Prêmio que chega sempre na mesma hora a gente abandona fácil; prêmio sem hora marcada, não. É escolha de projeto.
Sobre isso se acrescenta o efeito do quase-ganho. Exames de imagem do cérebro mostram que os quase-ganhos ativam o centro de recompensa com 75% a 90% da força de um ganho de verdade. Traduzindo: perder por pouco é processado pelo cérebro quase como ganhar, e as máquinas são projetadas para produzir quase-ganhos com frequência muito acima do que o acaso produziria. E há as perdas disfarçadas de ganho: quando o pagamento é menor que a aposta feita, a máquina ainda assim dispara luzes, som de moeda e animação de vitória. O bolso registra perda; o cérebro registra vitória.
Agora tire a conclusão. Isso não é vício de gente sem força de vontade. É um produto desenhado por profissionais para explorar um mecanismo neural conhecido.
E aqui a acusação bíblica muda de endereço. Sai do jogador e vai para quem monta a armadilha:
É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.Lucas 17.1–2
O profeta foi ainda mais direto sobre quem lucra com a queda alheia: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor” (Hc 2.15).
O tribunal alemão descobriu o que Jesus já havia dito
Falta uma peça, e ela vem do direito comparado, porque nenhum tribunal do mundo decide se apostar é pecado, mas alguns decidiram algo muito perto disso.
Em 28 de março de 2006, o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha derrubou o monopólio estatal de apostas esportivas da Baviera. Não por ser monopólio. O fundamento foi outro: o Estado só pode ficar com o mercado inteiro para si se estiver mesmo combatendo o vício, e a Baviera barrava as empresas privadas sem fazer nada de concreto contra o jogo compulsivo. Queria a receita, não a proteção. O tribunal deu um ultimato: ou combatem de verdade o jogo compulsivo, ou abrem o mercado. Não havia terceira via.
O Tribunal de Justiça da União Europeia formalizou isso numa doutrina. Desde o caso Gambelli, de 2003, as restrições ao jogo só se justificam se reduzirem as oportunidades “de maneira coerente e sistemática”. E, em Markus Stoß e Carmen Media, a Corte firmou16 que o Estado que incentiva a participação em outros jogos perde o direito de invocar o combate ao vício como justificativa. Ou seja: a incoerência deixou de ser só feia e passou a ser motivo suficiente para derrubar a proibição.
Agora leia isto:
Hipócritas, não desprende cada um de vós, no sábado, o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para levá-lo a beber? E não devia ser solta desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?Lucas 13.15–16
Repare no que Jesus está fazendo, porque não é o que se costuma dizer. A acusação dele não é de rigor excessivo. É de incoerência. Eles soltavam o boi e não deixavam soltar a mulher. Tinham um critério para o próprio prejuízo e outro para a dor alheia. Quando Jesus chama de hipócrita, é isso que está nomeando: dois pesos para o mesmo princípio.
O Tribunal Constitucional alemão exigiu do Estado exatamente o que Jesus exigiu dos fariseus. O direito europeu chama isso de coerência e sistematicidade. Lucas 13.15 chama de outra coisa. E a pergunta que sobra é se a igreja que faz bingo no salão e prega contra a bet passaria no teste de qualquer um dos dois.
A tese: a aposta não é pecado, a jogatina é
Chega de rodeio. Aqui está a conclusão, e ela é uma só:
A aposta não é pecado. A jogatina é.
O jogo não é pecado em si mesmo: é ocasião de pecado. E a Escritura trata ocasiões com princípios, não com proibições. É por isso que dezessete séculos de igreja condenaram o jogo com tanta força sem conseguir citar um versículo: estavam certos no diagnóstico e desajeitados na fundamentação. Viam a ruína e inventaram a lei que faltava, em vez de aplicar os princípios que sobravam. Os princípios sobram, e são cinco.
O domínio. “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1Co 6.12). Paulo dá o critério exato: o problema não é a licitude, é o domínio. E é literalmente isso que o transtorno do jogo faz.
A cobiça. “Não cobiçarás” (Êx 20.17) alcança o desejo, não só o ato.
A mordomia. O que temos foi confiado, e haverá prestação de contas: é a lógica da parábola dos talentos (Mt 25.14-30). Dissipar o que Deus confiou é a razão pela qual Westminster classificou o jogo sob o não furtarás.17
O amor ao próximo. No jogo, o meu ganho é exatamente a sua perda. Não existe versão em que os dois saiam melhores, e é isso que o distingue do comércio, do trabalho, do seguro e do investimento produtivo, em que o risco já existia e o contrato apenas o administra. No jogo, o risco é fabricado do nada para permitir a transferência. Este teste, aliás, corta para os dois lados: pelo mesmo critério, a especulação pura também cai.
A ansiedade. Jesus avisou que a igreja não cairia na perseguição, mas sufocada pelos “cuidados deste mundo e a fascinação da riqueza”, como na parábola do semeador (Mc 4.19). A promessa da bet é exatamente essa: o atalho.
E a fronteira, na prática, não está no ato. Está em três perguntas.
Quem lucra? Se existe uma casa com vantagem matemática estrutural, aquilo não é jogo entre iguais: é extração – a mesma figura dos donos que faturavam com a escrava de Filipos e se voltaram contra quem lhes tirou a receita. Falha na quarta condição católica que vimos lá atrás, a igualdade entre as partes, e falha no amor ao próximo.
Domina? Se manda no seu sono, no seu orçamento ou no seu humor, já não é lícito para você, seja qual for o valor.
De onde vem o ganho? Se vem exatamente da perda de alguém, e o risco foi fabricado para permitir a transferência, é jogatina, ainda que seja legal, estatal, regulamentada, ou realizada no salão da igreja.
O que fazer, então
A posição cabe numa linha: a aposta não se proíbe, a jogatina se combate, e a igreja começa por si mesma.
Na prática, isso são seis decisões, e nenhuma delas é o silêncio.
1. Não invente mandamento. Se a Escritura não proibiu, o púlpito não pode proibir em nome dela. Quem prega “apostar é pecado” afirma o que o texto não afirma, e perde autoridade justamente onde mais precisa dela. Impor à consciência alheia o que Deus não impôs é ofensa direta à liberdade que Cristo comprou – é o mesmo erro que o concílio de Jerusalém condenou ao recusar o jugo da Lei sobre os gentios –, e Westminster o diz com todas as letras.
2. Não use a liberdade como desculpa. “Não há mandamento” não significa “estou liberado”. A ausência de lei devolve a pergunta ao princípio, e princípio obriga mais que regra, porque não se cumpre por fora. Quando Jesus tratou do sábado, ele não disse que o sábado não importava. Disse que a finalidade importava mais que a regra, o que é exigência maior, não menor.
3. Limpe o próprio salão antes de falar da rua. Enquanto a igreja consertar telhado com bingo, rifa e sorteio, ela não tem voz contra a bet, e o mundo percebe. O método de arrecadação do povo de Deus é a oferta voluntária e alegre: “cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9.7). Sorteio não é oferta: é venda de esperança a noventa e nove para que um leve o prêmio. Tire o bingo do calendário antes de tirar a bet do sermão.
4. Trate por domínio, não por ato. Ninguém deve ser disciplinado por ter apostado um almoço; e ninguém deve ser deixado em paz porque “só joga um pouquinho” enquanto perde o salário, o sono e a família. O critério é o de Paulo: “não me deixarei dominar por nenhuma” (1Co 6.12). A pergunta pastoral não é quanto ele gastou; é quem está mandando.
5. Receba o irmão que pensa diferente. Em matéria que a Escritura não fechou, vale Romanos 14: quem se abstém não despreze quem não se abstém, e quem não se abstém não julgue quem se abstém. Transformar isso em teste de comunhão é acrescentar à Palavra, e já dividiu igreja por menos.
6. E cuide de quem caiu. Existe tratamento com evidência: terapia cognitivo-comportamental, acompanhamento em CAPS,18 grupos de apoio, e medicação em casos indicados. A igreja que oferece só oração e vergonha está oferecendo menos do que pode. Encaminhar é ato pastoral, não falta de fé.
Uma última coisa, e é para fixar.
Os dados dizem que o jogo não distribui o dano por igual. Ele o concentra no adolescente, no pobre e no chefe de família. São exatamente as três pessoas que estão sentadas no banco da igreja.
E há uma cena que a Escritura registra e que nós lemos depressa demais. Enquanto Deus morria numa cruz, a três metros dali havia uma partida a dinheiro em andamento. Homens lançando sortes pela túnica dele, de costas para a redenção, contando moedas.
Então os soldados, quando crucificaram a Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, para cada soldado uma parte. Tomaram também a túnica; ora a túnica não tinha costura, sendo toda tecida de alto a baixo. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será.João 19.23–24
É a única aposta a dinheiro registrada no Novo Testamento. E ela não está ali por acaso: mostra gente ocupada em transferir o que era do outro enquanto a salvação acontecia às costas dela.
A igreja não precisa proibir o que Deus não proibiu. Precisa dizer, com todas as letras, o que ela sabe: a aposta não é pecado, a jogatina é, e a primeira mesa a virar é a do nosso próprio salão.
Portanto, em uma frase: apostar não é pecado, porque Deus não proibiu, mas a jogatina é, e ela começa no instante em que o risco deixa de ser dividido e passa a ser fabricado, quando existe uma casa que não pode perder, quando o ganho de um só nasce da ruína de outro, quando o desejo de receber sem trabalhar vira cobiça e quando o hábito passa a mandar em quem joga.
A conclusão, então, é esta, e ela não tem meio-termo: a igreja não deve inventar um “não apostarás” que a Escritura não escreveu, e deve dizer, com todas as letras, que a bet, o caça-níquel e a loteria comercial são jogatina, porque falham nos três testes, e que o cristão não deve pôr dinheiro neles. Não por serem proibidos, mas por serem uma indústria que vive de dominar, empobrecer e adoecer justamente o adolescente, o pobre e o pai de família que estão sentados nos nossos bancos.
Na prática, pastor, é isto que o senhor leva para o domingo. Pregue que apostar não é pecado, e que o irmão que apostou um almoço com um amigo não precisa ser envergonhado por isso. Pregue, na mesma mensagem, que a bet é outra coisa: é uma casa que não pode perder vivendo do dinheiro de quem perde, e que nisso o cristão não entra. Tire o bingo e a rifa do calendário da igreja, e explique da frente por que está tirando. Não discipline ninguém por ter apostado; procure, sim, quem já está dominado, e encaminhe para tratamento como encaminharia um alcoolista. E não rompa comunhão com quem discorda, porque essa porta a Escritura não fechou.
Liberdade onde Deus deu liberdade, firmeza onde Deus deu princípio, e coerência começando dentro de casa.
Sobre tudo isso, lembre-se sempre de agir com amor, como diz: “tende ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe 4.8).
Notas
1. ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) e ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) são as duas principais ações do controle abstrato de constitucionalidade: nelas o Supremo julga a lei em tese, sem caso concreto, e a decisão vale para todos.
2. Texto integral das listas citadas (Almeida Revista e Atualizada). Romanos 1.29–31: “cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais; sem entendimento, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.” 1 Coríntios 6.9–10: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.” Gálatas 5.19–21: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” Efésios 5.3–5: “Mas a prostituição e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.” Colossenses 3.5–8: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também andastes outrora, quando vivíeis nelas. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.” 1 Timóteo 1.9–10: “tendo em vista que a lei não é feita para o justo, e sim para os transgressores e rebeldes, para os ímpios e pecadores, para os irreverentes e profanos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina.” Apocalipse 21.8: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” Apocalipse 22.15: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira.”
3. Confissão de Fé de Westminster, capítulo 20, parágrafo 2. No original: “God alone is Lord of the conscience, and hath left it free from the doctrines and commandments of men, which are in any thing contrary to His Word; or beside it, if matters of faith or worship.” O “beside it” (fora dela, à parte dela) é o que alcança a proibição inventada, e não apenas a contrária.
4. O termo grego é κυβεία (kubeia), de κύβος (kubos), o dado. Ocorre uma única vez no Novo Testamento, em Efésios 4.14, já com o sentido derivado de trapaça e astúcia.
5. Cânones dos Apóstolos 41 e 42; Concílio de Elvira, cânon 79; Concílio Quinissexto (in Trulo, 692), cânon 50. São Nicodemos Hagiorita, comentando o cânon 50 no Pedálion, estende a proibição a “dados, cartas, damas ou qualquer outro jogo semelhante”.
6. De Aleatoribus foi atribuído por muito tempo a Cipriano de Cartago; a crítica moderna tende a atribuí-lo a um bispo de Roma dos séculos II ou III: Vítor I, Calisto I ou Melquíades.
7. Tertuliano (c. 155–220), de Cartago, foi o primeiro grande autor cristão a escrever em latim. O De Spectaculis é o seu tratado contra os espetáculos públicos do Império – circo, arena e teatro.
8. Cipriano (c. 200–258) foi bispo de Cartago e morreu mártir. Ele e Tertuliano estão entre os chamados Padres da Igreja: os escritores dos primeiros séculos cujo testemunho documenta a prática cristã antiga.
9. As quatro condições são a formulação clássica dos moralistas católicos, sintetizada no verbete “Gambling” da Catholic Encyclopedia: propriedade legítima do objeto apostado, liberdade de ação, ausência de fraude e igualdade entre as partes.
10. Charles Haddon Spurgeon (1834–1892), pastor batista britânico chamado por seus contemporâneos de “o príncipe dos pregadores”. O Metropolitan Tabernacle, em Londres, era a sua igreja, com auditório para cerca de seis mil pessoas.
11. Sermão nº 2228, The Law’s Failure and Fulfilment, sobre Romanos 8.3–4, pregado no Metropolitan Tabernacle em 1º de março de 1891. No original: “I noticed, some time ago, that a learned prelate said that he could not find any Commandment against gambling. Where were his eyes? Is it not plainly written, ‘You shall not covet’? What is gambling but covetousness in action?”
12. Unifesp: Universidade Federal de São Paulo. Senad: Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, órgão do governo federal que financiou o levantamento.
13. O IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) é uma organização independente e sem fins lucrativos dedicada à pesquisa e à formulação de políticas públicas de saúde no Brasil. A Umane é uma associação civil, também sem fins lucrativos, que financia iniciativas de saúde pública voltadas ao SUS; entrou no estudo como financiadora, não como autora da análise.
14. DSM-5: quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, publicada em 2013. É a principal referência internacional para a classificação de transtornos mentais.
15. CID-11: 11.ª revisão da Classificação Internacional de Doenças, em vigor desde 2022. É a lista oficial de diagnósticos adotada pelos sistemas de saúde, inclusive o brasileiro.
16. Gambelli (2003), Markus Stoß (2010) e Carmen Media (2010) são julgados do Tribunal de Justiça da União Europeia sobre monopólios estatais de jogo. Os nomes correspondem às partes que questionaram as restrições nacionais.
17. Catecismo Maior de Westminster, perguntas 112, 113 e 142. A tradução de wasteful gaming, na pergunta 142, é “jogo dissipador”; gaming, no inglês do século XVII, designava especificamente o jogo a dinheiro.
18. CAPS: Centros de Atenção Psicossocial, serviços públicos e gratuitos do SUS voltados a transtornos mentais e dependências, presentes na maior parte dos municípios.